Casal leva primeiro bebê com DNA dos dois pais do Sul do Brasil para a Parada LGBT: ‘Antonella é símbolo de luta’

Casal leva primeiro bebê com DNA dos dois pais do Sul do Brasil para a Parada LGBT
Casal leva primeiro bebê com DNA dos dois pais do Sul do Brasil para a Parada LGBT.
Luiz Franco / g1

Ela foi fecundada a partir do óvulo da irmã de Mikael com o sêmen de Jarbas.
Os três coloriram a parada vestidos com a mesma roupa de arco-íris.
Casal leva primeiro bebê com DNA dos dois pais do Sul do Brasil para a parada gay.

Esse ano a Parada do Orgulho LGBT+ é bem especial para o casal Jarbas Bitencourt e o fotógrafo Mikael Bitencourt.
Casados há mais de 15 anos, esse é o primeiro ano que a filha deles, a pequena Antonella, participa do evento.

Hoje com um ano, Antonella é o primeiro bebê nascido com o DNA de dois pais no Sul do Brasil.

Ela foi fecundada a partir do óvulo de Marrie Bortolanza, irmã de Mikael, com o sêmen de Jarbas, um dos pais.
A menina ainda foi gestada por uma amiga do casal.

“A Antonella é um símbolo da luta contra o preconceito. Ela é a primeira bebê nascida com o DNA dos dois pais no Sul do Brasil
e também nasceu no dia 17 de maio, dia mundial de luta contra a LGBTfobia”, disse Jarbas ao g1.

A família foi convidada a desfilar no segundo trio elétrico da Parada, dedicado a famílias LGBT+.

Vestidos com as cores do arco-íris da bandeira LGBT, os três vieram do Rio Grande do Sul especialmente para o evento,
como forma de afirmar sua existência, resistência e orgulho.

A bebê Antonella
A bebê Antonella.
Luiz Franco / g1
Jarbas Bitencourt e Mikael Bitencourt
Jarbas Bitencourt e o fotógrafo Mikael Bitencourt se tornaram pais através de uma barriga solidária.
Luiz Franco / g1

Como foi a fecundação e gestação

Antonella foi fecundada a partir do óvulo de Marrie Bortolanza, irmã de Mikael, com o sêmen de Jarbas, um dos pais.
Jéssica Konig, amiga e comadre do casal, é a gestante de substituição, ou seja, gera a criança em seu útero.

A cessão temporária do útero é permitida por uma resolução do Conselho Federal de Medicina mediante autorização,
que foi obtida pelo casal.

“Nós nem sabíamos que isso era possível. A clínica nos deu opções: ‘vocês têm óvulos? Vão comprar? Têm doador?’”,
diz Jarbas, que mora em Imbé, no Litoral Norte do RS.

Com a disponibilidade de Marrie doar os óvulos, o casal decidiu encaminhar a fertilização in vitro.

“A partir daí surge uma grande novidade da nossa vida, a possibilidade de gerar nossa própria filha.
E aí foi o sonho realizado na perfeição”, conta Jarbas.

O casal já havia tentado um processo de adoção, que não foi concluído devido à desistência da mãe.
Frustrados, buscaram na reprodução assistida a solução para realizar o sonho.

“Nosso objetivo é mostrar pra sociedade brasileira que a realização do sonho da paternidade ou maternidade
para casais hétero, homoafetivos ou pessoas que não podem ter filhos é possível.
A gente tem que buscar as alternativas.”

“Tenho a barriga que vocês precisam”

Foi da amiga e comadre do casal, a comerciante Jéssica Konig, de 31 anos, a ideia de tentar a reprodução assistida.

“Eu tenho a barriga que vocês precisam. O resto, vocês correm atrás”, relembra Jarbas.

Mãe de duas crianças, Jéssica diz que se comoveu com a tentativa dos amigos de se tornarem pais.

“Eu já tenho meus filhos, já sou realizada nessa questão. Como eu já tinha os meus, por que não ajudar eles?”,
questiona Jéssica.

Gestante de substituição pode ser da família

A cessão temporária de útero, processo conhecido como barriga solidária, é prevista pelo Conselho Federal de Medicina.

  • Idade máxima para mulheres gestarem uma criança é 50 anos;
  • Para doar gametas, o limite é 45 anos para homens e 37 para mulheres;
  • A doação não pode ter caráter lucrativo;
  • A gestante deve ter ao menos um filho vivo;
  • A mulher que vai gestar pode ser parente de até quarto grau;
  • Caso não seja parente, é necessária autorização do CRM.

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